O Caso Banco Master e o Risco da Impunidade Institucional.
Vicente Lino.
Como
se sabe, a impunidade acompanha a alta cúpula dos Poderes desde sempre. Por
isso mesmo, é preciso muita cautela antes de afirmar que, desta vez, os
culpados serão punidos.
As gravações no celular de Daniel Vorcaro, investigado
por fraudes financeiras, são evidências muito fortes de seu envolvimento com o
ministro Alexandre de Moraes, o procurador-geral Paulo Gonet e o diretor-geral
da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Se a trinca será punida, é outra
história.
O contraste é perturbador. Enquanto assistíamos ao endurecimento de
cautelares, prisões preventivas, privações sem o devido processo legal e
punições sem as garantias fundamentais, os bastidores do poder revelavam as
tenebrosas transações agora descobertas.
Um dos magistrados mais poderosos da Corte
celebrou contratos milionários com o Banco Master e editou seus termos
contratuais. Esse comportamento evidencia um ambiente de tolerância e
privilégio inacessível ao cidadão comum. Por enquanto, nenhuma providência foi
tomada.
Temos, de um lado, pessoas submetidas ao rigor do Estado, sem acesso
aos autos e enfrentando o peso de decisões monocráticas e irreversíveis. Do
outro, um investigado que se sente à vontade para solicitar intervenções junto
à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República, além de consultar prazos
para uma eventual fuga do país.
O Brasil que presta quer saber se haverá,
finalmente, uma resposta à altura, ou se vai assistir a mais uma "operação
abafa". Historicamente, quando a tigrada é flagrada cometendo crimes, o
sistema se fecha em autoproteção, arrastando prazos e alegando nulidades.
Se a
justiça não prevalecer agora, restará a falência moral do nosso sistema: o rigor da lei que esmaga os
vulneráveis enquanto concede salvo-conduto aos poderosos — como, aliás, sempre
foi.
Vicente Lino.


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