Na ONU, Lula faz campanha e exibe sua geopolítica de botequim,
Lula começou fazendo uma condenação genérica da guerra, mas
não demorou para que suas escolhas de palavras mostrassem que há guerras e
guerras. Como bem recordou o colunista da Gazeta do Povo Francisco Razzo, o
contraste nas referências lulistas à guerra entre Israel e o Hamas é marcante:
enquanto o petista condena como “genocídio” a campanha israelense contra os
terroristas islâmicos na Faixa de Gaza, os verdadeiros genocidas, aqueles que
defendem a extinção do Estado de Israel, não são tratados dessa forma, ganhando
inclusive o benefício de nem sequer aparecerem como sujeitos dos atos que
praticam: “civis israelenses pagaram o preço do radicalismo e da intolerância
dos atos terroristas do Hamas”, disse Lula – e só podemos imaginar o quando
deve ter lhe custado colocar “Hamas”, “radicalismo”, “intolerância” e “atos
terroristas” na mesma frase.
Lula mais uma vez rebaixou a tribuna da ONU ao transformá-la
em palanque eleitoral para suas mentiras e meias-verdades
Lula, sempre rápido em apontar agressores quando eles são
seus adversários ideológicos, como Israel e os Estados Unidos (que não foram
nomeados explicitamente, mas nem era necessário, diante das referências a Cuba
e à Venezuela), e quando as vítimas são seus camaradas, muda completamente o
tom diante do maior conflito armado desta década. “A guerra entre Rússia e
Ucrânia se arrasta há cinco anos”, limita-se a dizer Lula, igualando moralmente
o país invasor e o país invadido, para não ter de criticar o companheiro e
ditador Vladimir Putin. Como se apenas isso não fosse suficientemente cínico, o
petista voltou a exaltar o plano sino-brasileiro como demonstração de que há
“forças na comunidade internacional dispostas a trabalhar pelo diálogo”,
omitindo malandramente que o tal plano não passa de uma capitulação ucraniana
às demandas russas, entregando a vitória ao agressor injusto.
O padrão se repete quando Lula fala da América Latina. Mesmo
emburrado com Daniel Ortega, o petista diz apenas que “a Nicarágua não vai
resolver os seus problemas impedindo a oposição de disputar eleições”,
esquecendo-se de que, a julgar pela promessa de Ortega, nem haverá mais
eleições no país – e o nome disso, o nome que Lula omite, é “ditadura”. Quanto
a outro país governado por um regime amigo, o brasileiro diz apenas que “o povo
venezuelano merece definir o próprio destino”. Curiosamente, o povo venezuelano
já fez isso: foi em julho de 2024, quando elegeu Edmundo González Urrutia, como
ficou devidamente comprovado inclusive por observadores internacionais. Lula,
no entanto, se recusou a endossar o vencedor legítimo e mandou sua embaixadora
à “posse” do ditador Nicolás Maduro, fraudador da apuração.
Por fim, Lula ainda tentou colocar a eleição de outubro como
componente do cenário geopolítico, acusando tentativas de interferência
norte-americana no pleito e apresentando-se como o único defensor da
“democracia”, enquanto seu principal adversário, Flávio Bolsonaro, é retratado
como mero lacaio de Donald Trump. “Voltamos a presenciar a ingerência externa
em processos eleitorais” na América Latina, diz o presidente que mandou seus
marqueteiros ajudarem o candidato peronista derrotado por Javier Milei em 2023
na Argentina, e que tinha o hábito de gravar vídeos de apoio a candidatos de
esquerda no continente todo. Infelizmente, talvez a hipocrisia tenha sido
percebida apenas pelos representantes dos países onde Lula ajudou seus
camaradas.
O presidente brasileiro mais uma vez rebaixou a tribuna da
ONU ao transformá-la em palanque eleitoral para suas mentiras e meias-verdades.
Mentiu quando se proclamou o único representante da democracia no Brasil, como
se qualquer outro resultado em outubro também não fosse a manifestação da
vontade do eleitor; mentiu em suas avaliações sobre política internacional que
omitem a responsabilidade de seus aliados pelos conflitos e ditaduras, mentiu
sobre combate à corrupção, escondeu a catástrofe fiscal e o domínio das facções
sobre áreas inteiras do país. Como sempre quando se trata de Lula e seu
histórico, acredita nele quem quiser, por conta e risco.
Gazeta do Povo.


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