domingo, 20 de setembro de 2026

 Gangue dos Quatro: é isso que você quer para o Brasil?

 Paulo Briguet




Há 50 anos, em 9 de setembro de 1976, morria em Pequim o ditador comunista Mao Tsé-tung. Ao longo das três décadas em que ocupou o poder máximo na China, ele foi o responsável por cerca de 70 milhões de mortes, o que faz dele o maior genocida da história, superando Josef Stálin e Adolf Hitler. Até hoje, o regime comunista chinês celebra Mao como ídolo máximo: a gigantesca imagem do tirano domina a Praça da Paz Celestial, no coração do poder.

No entanto, os crimes de Mao eram tão colossais que o Partido Comunista Chinês se viu obrigado a punir alguns dos principais artífices do terror maoísta, julgando e condenando à pena máxima quatro lideranças radicais do regime: Jiang Qing (a viúva de Mao), Zhang Chunqiao (o cérebro do terror), Wang Hongwen (o responsável direto pela repressão e prisão de dissidentes) e Yao Wenyuan (a “pena de ouro” em defesa do regime). Eles ficaram conhecidos como a Gangue dos Quatro.

Como o Brasil inteiro pôde testemunhar durante a fatídica sessão do STF na última terça-feira, nós também temos a nossa Gangue dos Quatro. Lula — um malfeitor tão decadente quanto Mao em seus últimos anos — tem em quatro ministros do Supremo os executores fiéis e implacáveis de seu regime nefasto.

A história se repete: às vezes como tragédia, às vezes como farsa, às vezes como uma mistura de ambas

Flávio Dino, o chicaneiro do Maranhão, é Jiang Qing. Trata-se de uma viúva de Mao colocada na Corte Suprema com a indispensável ajuda dos nossos senadores pusilânimes. Grande admirador de Mao e Lula, militante por 30 anos do PCdoB (um partido maoísta), ex-governador do estado mais miserável do Brasil, truculento e fanfarrão como Lavrenti Béria, defensor da censura, verdugo da liberdade de expressão, testemunha ocular da farsa de 8 de janeiro e responsável pelo sumiço de imagens de 50 câmeras com imagens daquele evento, Flávio Dino mostrou ao Brasil o que é capaz de fazer para evitar que os crimes de um companheiro de regime sejam sequer investigados. Suas chicanas verborrágicas me fizeram lembrar a famosa frase de Jiang Qing no tribunal: “Eu era o cão de caça do presidente Mao; quem ele mandava morder, eu mordia”.

Gilmar Mendes, o decano do pântano, é Zhang Chunqiao. Confessadamente admirador do modelo chinês de censura e repressão de dissidentes, Gilmar atua como uma espécie de cérebro do mal, a exemplo do ideólogo chinês. Verdadeira máquina de ameaças em defesa do regime, ele jamais demonstra arrependimento e consegue afirmar, sem o menor resquício de pudor, exatamente o contrário do que dizia no passado recente.

Alexandre de Moraes, o Careca do Master, é Wang Hongwen. O homem responsável pelo regime de terror e perseguição instaurado na China durante o trágico período da Revolução Cultural (1966-1976). Toda ditadura socialista tem o seu perseguidor-mor: Lênin tinha Dzerzhinsky, Stálin tinha Béria, Pol Pot tinha Deuch, Mao tinha Wang e Lula tem Moraes.

Cristiano Zanin, o eterno advogado de Lula, é Yao Wenyuan. O conselheiro (melhor seria dizer consigliere), aquele cujo papel é oferecer uma justificativa intelectual para as atrocidades. Ao fim de tudo, quem sabe, poderá reconhecer o que fez, a exemplo de Yao: “Cometi erros ideológicos e deixei-me influenciar por diretrizes sectárias, mas minhas ações visavam combater a restauração capitalista”.

Se Lula vencer as eleições, escolherá mais uma Gangue dos Quatro para o STF. É isso que você quer para o Brasil?


Paulo Briguet é escritor, jornalista, palestrante e professor de literatura. 



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