quinta-feira, 3 de setembro de 2026

             Diálogo sobre o absurdo.




Entre dezembro de 2023 e novembro de 2025, o banqueiro Daniel Vorcaro enviou uma sucessão de mensagens desesperadas ao ministro Alexandre de Moraes. De outro lado, diante do escândalo, veio a manifestação oficial do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin. O contraste entre a intimidade do poder e o discurso institucional é o retrato do Brasil atual. Hoje temoso diálogo sobre o absurdo.

 DANIEL VORCARO - — É importante reforçar com o Andrei e com o Paulo para não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem... Porque aí vai tudo pro saco! Estou disponível para tratar e explicar qualquer coisa, só não pode ter sacanagem.

VOZ DE EDSON FACHIN - — Os fatos revelados exigem serenidade, responsabilidade e respostas institucionais firmes.

VOZ DE DANIEL VORCARO]- — Mas há pedido deferido por parte deles? Algo que dê para bloquear? Porque se conseguem alguma medida contra mim agora, vai tudo por água abaixo... Essa é a minha maior preocupação!

[VOZ DE EDSON FACHIN - — Os indícios reclamam o devido encaminhamento institucional. Há, de um lado, a atuação processual e, de outro, sérios elementos de fatos que exigem desta Presidência serenidade, responsabilidade e firmeza.

DANIEL VORCARO: — Como estamos aí? Conseguimos bloquear a maldade e a sacanagem? Acha que vale a pena? Não vou fazer nenhum movimento que você não ache produtivo... Não conseguimos reverter isso com o Paulo ou com o Andrei? Muita sacanagem isso...

VOZ DE EDSON FACHIN - — A elevada autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades. A Presidência do STF está analisando o caso e anunciará, no tempo devido e sem precipitação, as medidas cabíveis e necessárias.

Senhores:  Daniel Vorcaro está preso.  Por enquanto, só ele foi responsabilidade. Mais ninguém, como sempre acontece, aliás.

Absurdo maior:estamos escrutinando votos no STF a favor ou contra tamanha anomalia. Como se fosse impossivel distinguir o certo do errado.


Vicente Lino.



 

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