Vorcaro ameaça expor relação com ministros do STF e PGR se pai não for liberado da prisão.
Guilherme Grandi
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, ameaçou expor com detalhes a relação que teve com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e com a Procuradoria-Geral da República (PGR) se o pai não for liberado da prisão. Pelo menos cinco magistrados da Corte já foram citados ou surgiram evidências de contatos próprios ou de parentes com o empresário.
Apuração da Gazeta do Povo com fontes a par da investigação
aponta que as ameaças de Vorcaro têm sido frequentes durante seu cárcere no 19º
Batalhão da Polícia Militar em Brasília, conhecido como "Papudinha",
no Complexo Penitenciário da Papuda. O empresário estaria propenso a detalhar
as relações com magistrados se o pai, Henrique Vorcaro não tiver concedida a
prisão domiciliar humanitária por conta de graves problemas de saúde.
Há, ainda, a expectativa de que Vorcaro fale mais sobre sua
relação com ministros do STF no depoimento que prestará no dia 30 se a Justiça
não liberar seu pai da prisão, em uma unidade em Minas Gerais. O empresário pediu
a André Mendonça, nesta semana, a progressão para a prisão domiciliar
humanitária. No entanto, o andamento do caso Master no STF está parado por
ordem do presidente da Corte, Edson Fachin.
Defesa de Vorcaro cita crise no STF para justificar
revogação da prisão preventiva
Informações reservadas apontam que Vorcaro teria fotos,
recibos de pagamentos e outros papeis que comprovariam sua relação com
ministros e tentáculos também na Procuradoria-Geral da República (PGR) e na Polícia
Federal. Mensagens recentes vazadas à imprensa revelaram indícios de conversas
com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e com interlocutores na
autoridade policial que teriam garantido que “pode cometer [o] crime que for”.
No mesmo dia do depoimento de Vorcaro, Henrique também será
ouvido pela Polícia Federal no âmbito da investigação sobre a suposta “milícia
privada” comandada por ele – a chamada “A Turma” – para proteger o ex-banqueiro
e ameaçar e coagir desafetos.
As investigações e informações vazadas à imprensa já apontam
ligações do ex-banqueiro com os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli e,
mais recentemente, citações a parentes de Nunes Marques, Gilmar Mendes e Luiz
Fux. Também se apura um encontro do ex-banqueiro com o próprio André Mendonça
às vésperas de uma decisão que poderia beneficiar seus negócios em
concessionárias do serviço funerário de São Paulo.
Na véspera, o ministro Flávio Dino reforçou a necessidade de
se aprofundar a apuração desse encontro de Vorcaro com Mendonça por conta de um
voto que o ministro deu no dia seguinte favorável a negócios do ex-banqueiro
que poderia beneficiar uma empresa concessionária de cemitérios da capital
paulista. O caso havia tido uma decisão negativa de Dino, que perdeu efeitos
com o voto de Mendonça.
As relações de Vorcaro com ministros do STF levou à maior
crise na história da Corte após um relatório da Polícia Federal revelar
supostos diálogos entre o empresário e Moraes, incluindo um contrato milionário
com o escritório de advocacia da esposa, Viviane Barci. Mendonça pediu uma
investigação do colega, que rebateu pedindo uma apuração sobre suposta
imparcialidade na condução do caso – Mendonça é relator dos processos
referentes ao Master no STF.
Os dois pedidos de investigação levaram Fachin a paralisar o
andamento do caso Master e a colocar as duas provocações dos ministros para
julgamento, o que poderia abrir uma inédita investigação de um membro da Corte.
No entanto, após fortes e acaloradas discussões no plenário na última
terça-feira (15), a análise da investigação de Moraes foi paralisada por um
pedido de vista (mais tempo de análise) de Flávio Dino de uma questão de ordem
que pedia a união dos dois casos.
Como ele tem até 90 dias para devolver o processo, o
julgamento do pedido de investigação contra Mendonça – que estava marcado para
o próximo dia 23 – acabou prejudicado e foi adiado sem prazo por Fachin.
Enquanto isso, ministros seguem se provocando inclusive pelas redes sociais e
trocas de notas ofensivas por suas supostas condutas em relação ao Master e aos
processos em que estão envolvidos na Corte.


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