Carta aberta ao meu irmão gari: quem vai limpar o lixo do PT?
Paulo Briguet
Quem será capaz de limpar toda a sujeira que essa gente deixou?
“Nada é pequeno quando contém o infinito em germe, e é este o caso de
toda ação feita para Deus.”
(Padre Antonin-Dalmace Sertillanges)
Meu amigo,
Você é lixeiro e eu sou cronista. Nossas profissões são
muito mais parecidas do que se poderia imaginar. Você é responsável pela limpeza
de nossas ruas. Eu sou responsável por outro tipo de limpeza: a limpeza da
linguagem, despojando-a de tudo aquilo que não comunique a verdade. A diferença
é que o seu trabalho é muito mais importante que o meu. Sem você, a cidade vira
um caos. Sem mim, ela continuará funcionando, mesmo com todos os problemas.
Ouvi, com o coração dilacerado, as palavras que o ocupante da Presidência dedicou ao seu ofício em mais um discurso imbecil. Senti-me pessoalmente ofendido com as palavras do sujeito.
Há muitos anos cultivo um hábito: quando vejo um caminhão de
lixo se aproximando, eu paro o que estou fazendo para acompanhar o trabalho de
vocês e fazer uma oração silenciosa:
— Senhor, abençoe os nossos irmãos lixeiros.
Quantos quilômetros por dia corre um funcionário da limpeza
pública? É um trabalho hercúleo, digno de heróis. E tudo para garantir o
conforto e a saúde da população. Raros labores traduzem melhor aquilo que
garante a continuidade da vida social: o amor ao próximo.
Meu amigo Silvio Grimaldo diz que eu, na verdade, sou um
catador de detritos, um lixeiro das palavras. Jamais me senti ofendido com essa
definição. De vez em quando, eu saio pelas ruas catando garrafas e latinhas e
quase sempre volto com uma crônica. Certa vez, eu cortei a mão com uma garrafa
quebrada. Para evitar que aconteça o mesmo com você, sempre que quebramos um
copo ou uma garrafa aqui em casa, eu dedico alguns minutos só para acomodar os
cacos dentro de uma caixa de papelão forrada de papel, com um aviso em letras
garrafais: CUIDADO, AMIGO LIXEIRO: VIDRO QUEBRADO.
Hoje de manhã, quando me sentei para escrever esta crônica
em sua homenagem, assisti ao vídeo de uma moça que teve seu celular roubado por
bandidos. Os caras quebraram o vidro do carro e a moça ficou em estado de
choque. Ela havia acabado de comprar o celular e estava devendo 11 parcelas. Os
ladrões, não contentes em lhe subtrair o celular, também lhe afanaram R$ 2 mil
da conta.
Esse Lula que humilhou os lixeiros do Brasil é o mesmo que,
tempos atrás, saiu em defesa dos ladrões de celular, que, segundo ele, roubam
“pra comprar uma cervejinha”. Ele respeita mais os ladrões que os garis. E
todos sabemos por quê.
A pergunta que eu faço é muito simples e direta: quem será
capaz de limpar toda a sujeira que essa gente deixou? É obra para muitas
gerações. Todos nós teremos de ser garis.
Receba um forte abraço deste colega, amigo, irmão e cronista de sete leitores.


Nenhum comentário:
Postar um comentário