O Supremo ultrapassa a fronteira entre os Poderes.
Como se sabe, o Inquérito das
Fake News, sob o argumento de combater ataques à democracia e à honra dos magistrados,
resultou no bloqueio de perfis em redes sociais, busca e apreensão contra
empresários e analistas, e na prisão do ex-deputado federal Daniel Silveira por
ter criticado os ministros. Nesta toada, o STF acumulou os papéis de vítima,
investigador e julgador, ultrapassando os limites da serenidade.
O aperfeiçoamento institucional
encontrou forte barreira dentro da própria Corte. A intenção de aumentar a
transparência e restabelecer a confiança pública com a criação do Código de
Ética não deu em nada, e a proposta foi sepultada. O ministro também falou em
celeridade processual, mesmo sabendo que decisões travadas por pedidos de vista
individuais sem prazo limite chegavam a paralisar processos por mais de uma
década, e que o tempo médio de tramitação ainda supera três anos.
Ao falar em diálogo
institucional, esquece-se de que a frequente judicialização da política fez com
que o STF interferisse diretamente em pautas deliberadas pelo Congresso, desde
a invalidação da tese do Marco Temporal para terras indígenas até debates sobre
a descriminalização do porte de drogas. O que se viu foi ativismo judicial e
invasão da prerrogativa legislativa.
O discurso do ministro falando em
conciliação e aperfeiçoamento institucional precisa contornar um histórico
marcado por inquéritos de exceção, recusa de marcos éticos internos e
frequentes ultrapassagens da fronteira entre os Poderes. Edson Fachin sabe
disso.
Vicente Lino


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