Justiça de Moraes se contrapõe ao direito humanitário.
A decisão de Moraes
reacende o debate sobre o alcance das medidas aplicadas pelo Judiciário, e esta
decisão contrasta fortemente com os princípios do direito humanitário e da
preservação dos laços familiares. Como se sabe, a legislação brasileira prevê
mecanismos para o vínculo familiar e o direito a visitas regulares.
Tanto é
verdade que, neste domingo, milhares de detentos puderam conviver
temporariamente com suas famílias, exceto Jair Bolsonaro. A imposição de
isolamento severo justamente em uma data festiva para um pai é uma medida de
rigor desmedido e cruel. A decisão só agrava o contexto de desconfiança e
desgaste enfrentado pelo Judiciário e, em especial, pelo ministro Alexandre de
Moraes.
Suas decisões são vistas com desconfiança, principalmente porque ele
ainda não respondeu às denúncias sobre o contrato de 129 milhões de reais do
Banco Master com o escritório de sua mulher. Neste sentido, esta ação só pode
ser interpretada como demonstração de rigor seletivo e desproporcional, e nunca
como ato de justiça.
Restrições rigorosas em ocasiões de apelo humanitário não
fortalecem a credibilidade das instituições democráticas.
Ao contrário, só
transmitem a percepção de perseguição seletiva. Em momentos como este, o
sistema perde o respaldo do sentimento coletivo de justiça, aprofunda a
polarização social e fragiliza a confiança da população na imparcialidade do
Poder Judiciário.
Vicente Lino.


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