Proposta positiva de Edson Fachin e a realidade na Corte.
Depois de propor um Código de
Ética para o STF — que ninguém aceitou — e assinar uma carta de apoio ao seu
colega Dias Toffoli no tormentoso caso do Resort Tayayá, o ministro Edson
Fachin afirmou que o caso envolvendo o Banco Master exige uma resposta firme
das instituições. Segundo ele, o STF e os demais Poderes estão sendo
desafiados, e todo tribunal constitucional deve ser um produtor de confiança e
legitimidade.
Fachin sustenta que o episódio
exige uma resposta "forte e objetiva" para demonstrar que escândalos
dessa natureza merecem a devida apuração. A fala do ministro ressoa como um
chamado ao rigor institucional; no entanto, ela precisa, antes, enfrentar o
teste da realidade no próprio STF.
O ministro afirma que as
instituições devem dar uma resposta "positiva" a tais escândalos, mas
parece esquecer que o padrão de conduta exigido recai sobre o próprio tribunal,
que, no momento, enfrenta um profundo desafio ético. Para o ministro Toffoli,
por exemplo, é desafiador explicar a aquisição de uma sociedade em um resort de
luxo, no valor de R$ 35 milhões, por um fundo que teria ligações com o grupo
Master. Uma explicação transparente afastaria qualquer sombra de conflito de
interesses.
Não sabemos se escândalos
dessa natureza merecerão, de fato, a devida sanção mediante a prévia e adequada
apuração, como apregoa o ministro. Edson Fachin deve saber que, sem uma
explicação convincente sobre o comportamento e os vínculos de seus colegas de
toga com o Banco Master, seu discurso corre o risco de ser reduzido a uma
retórica vazia, que já não convence mais ninguém.
Vicente Lino.



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