Lições do exterior para a Justiça Brasileira.
Ao
contrário do governo brasileiro, os EUA passaram a considerar o PCC e o CV como
organizações terroristas. Enquanto isso, o governo e a justiça brasileira
resistem a aplicar o enquadramento de terrorismo a essas facções.
É
inexplicável o país deixar de utilizar o máximo rigor legal contra quem de fato
promove o terror diário nas periferias, portos e fronteiras. Um dos reflexos
mais alarmantes do enfraquecimento das instituições nacionais é a inversão no
tratamento dado ao crime organizado em comparação a opositores políticos,
diferente da postura de outros países. A Argentina concedeu asilo político ao
brasileiro Joel Borges Corrêa por enxergar fragilidades processuais nas
condenações em massa.
Além disso, cerca de 300 outros brasileiros permanecem
abrigados aguardando a decisão da justiça de lá. Nos Estados Unidos, na Espanha
e na Itália, os casos que envolvem pedidos de extradição ou cumprimento de
mandados vindos do Brasil encontram frequentes barreiras. As cortes negam
pedidos que não preencham os requisitos estritos do contraditório ou que
configurem penas desproporcionais e motivações políticas disfarçadas. Por lá, a
robusta proteção à liberdade de expressão serve como um freio rígido contra
tentativas de censura prévia ou bloqueio de perfis e canais de comunicação
ordenados fora de suas fronteiras.
Diante desse cenário, a justiça brasileira
se vê encurralada e obrigada a cumprir a lei ainda que forçada pelo
constrangimento técnico e pela rejeição da justiça de outros países. Enquanto
nossas cortes persistirem em confundir a aplicação legítima da lei com uma
execrável perseguição política, o Brasil continuará a assistir suas garantias
fundamentais sendo resgatadas e protegidas pelo direito internacional.
Por
aqui, o cidadão que preza pela justiça exige o fim dos excessos e que os
verdadeiros culpados pelos abusos institucionais sejam devidamente punidos
dentro da legalidade.
Vicente Lino.


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