Sete apontamentos sobre por que o Brasil não vai pra frente.
Marcos Prado Troyjo.
Corrosão da competitividade do País em comparação a outras
Economias Emergentes:
I) Entre as principais economias emergentes, o Brasil figura
como país de maior carga tributária como percentual do PIB. Em anos recentes, o
quadro tem se agravado mediante a criação de novos impostos e o aumento do
apetite arrecadatório.
II) Uma comparação aproximada com base em dados recentes
sujeitos a pequenas variações anuais
mostra:
País ➡️ Carga tributária (% do PIB)
Brasil ➡️
32%–34%
África do Sul ➡️
25%–27%
Argentina ➡️
24%–29%
Turquia ➡️
23%–25%
China ➡️
20%–22%
Rússia ➡️
18%–20%
Índia ➡️
17%–19%
Indonésia ➡️
10%–12%
México ➡️
16%–18%
III) Entre os grandes emergentes (BRICS, G20 emergentes e principais
mercados emergentes), o ranking costuma ser:
Brasil
Argentina
África do Sul
Turquia
China
IV) O caso brasileiro é particularmente singular. Sua carga tributária
é semelhante à de vários países desenvolvidos da OCDE, mas sua renda per capita
ainda é típica de uma economia emergente.
V) Em outras palavras, o Brasil arrecada como um país relativamente
rico, mas possui um nível de renda muito inferior ao de economias avançadas.
Para colocar em perspectiva:
Brasil: cerca de 33% do PIB.
EUA: cerca de 26%–27% do PIB.
Coreia do Sul: cerca de 29% do PIB.
China: cerca de 21% do PIB.
Índia: cerca de 18% do PIB.
VI) Por isso, em debates sobre competitividade
internacional, Marcos Troyjo frequentemente observa que o Brasil enfrenta um
desafio raro: combinar uma carga tributária próxima à de economias
desenvolvidas com níveis de produtividade, infraestrutura e renda ainda
característicos de um país emergente.
VII) Isso ajuda a explicar por que o custo Brasil continua
sendo um tema central para investidores e exportadores, bem como as razões
pelas quais tantas empresas optam por estabelecer operações em outros países.
*Compilação a partir de dados disponíveis para consulta pública em OECD
Revenue Statistics e World Bank Data.
Marcos Troyjo é um economista, cientista
político, diplomata e escritor brasileiro. Foi presidente
do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) — o Banco dos BRICS, com sede em Xangai —,
além de ter atuado como Secretário Especial de Comércio Exterior e Assuntos
Internacionais do Ministério da Economia.


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