O dono do Banco Master quer fazer delação, mas não comemore ainda.
Já começamos a ouvir que Daniel Vorcaro, do Banco Master, pode fechar uma delação premiada. Dizem que Brasília está em pânico... mas, olha, é melhor não botar muita fé. Delação envolvendo figuras do topo da pirâmide jurídica brasileira é o tipo de coisa que precisa ser temperada com uma dose gigantesca de realismo.
Para os brasileiros do 8 de janeiro, a justiça voou! As prisões foram rápidas — ainda que ilegais. Mas, para a "tigrada" do andar de cima, o roteiro é outro. Entre a denúncia e a condenação, existe um labirinto processual desenhado sob medida para o esgotamento. Portanto, quem já encomendou a pipoca precisa cair na real: primeiro, o conteúdo da delação precisa ser validado pelo próprio STF.
E tem mais: cabe ao Procurador-Geral da República decidir se há provas para uma denúncia formal. E quem acompanha o que Paulo Gonet anda fazendo, sabe muito bem que esse processo pode morrer logo no nascedouro. Mesmo que, por um milagre, a denúncia seja aceita pelo plenário, o que se segue é uma exaustiva coleta de provas e perícias que pode levar anos.
É nessa hora que começa a "lorota" de sempre: vão dizer que mexer com ministro do Supremo é abalar a estrutura política do país. Vão usar a tal "crise institucional" como escudo para evitar punições. A verdade é que a "fadiga de indignação" já tomou conta do brasileiro. Já vimos operações colossais terminarem em nada, anuladas por supostos vícios processuais ou prescrições. Diante do nosso triste histórico de impunidade da elite, não dá para acreditar em condenação de togados.
É bom rezar muito,
porque, no Brasil, comemorar antes da hora é quase sempre o prelúdio de uma
grande frustração.
Vicente Lino.

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