quinta-feira, 26 de março de 2026

 O sentimentalismo do ministro não   convence ao Brasil decente.

Vicente Lino.





 Semana passada assistimos a um patético episódio em que o ministro Gilmar Mendes veio a público, derramando lágrimas para defender Alexandre de Moraes. Vale perguntar, desde quando a aplicação da lei e o exercício do poder de um magistrado exigem o amparo do choro de seus pares.

  As lágrimas de Gilmar Mendes não humanizam a Corte; pelo contrário, a desqualificam e transformam o que deveria ser um colegiado técnico em um clube de proteção mútua. Não houve choro quando a imprensa publicou o contrato de 129 milhões da família do ministro com o Banco Master. 

Embora votasse pela prisão de Vorcaro, Gilmar gastou sua saliva atacando os fundamentos da própria decisão. Enquanto chora por um colega, ele ignora o 'clamor público' contra as fraudes bilionárias. Enquanto se emociona com a pressão sobre o STF, não se abala com as críticas sobre a soltura de criminosos que acompanham sua trajetória. Sua postura o desqualifica porque revela parcialidade quando chora em defesa de outro juiz. O gesto, na verdade, defende um método, uma bolha de poder que se sente inatacável.

 E tenta nos enganar com uma narrativa de perseguição, enquanto mantém os olhos bem fechados para o que realmente importa: a segurança jurídica e a igualdade de todos perante a lei. Gilmar trata processos de corrupção sistêmica como 'excessos' e 'conceitos elásticos', mas se derrete em sentimentalismo quando as críticas batem à porta do tribunal.

um teatro de sombras que tenta esconder a realidade de uma Corte que se descolou do anseio de justiça da nação.". O Brasil exige menos lágrimas e mais Direito; menos corporativismo e mais transparência. E não precisa de ministros que chorem uns pelos outros, mas de magistrados que respeitem a Constituição.

  Vicente Lino.



 

 

 

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