terça-feira, 10 de março de 2026

Há pouca esperança de mudança no cenário político..



 

 Mais uma manifestação pelo Brasil afora confirma a insatisfação popular com a Justiça e o governo. Tem sido assim, embora não ocorra nenhuma mudança real no cenário político. Talvez a questão central seja o comportamento de nossos congressistas: afinal, são eles que detêm o poder democrático para propor leis capazes de melhorar o país. Ocorre que propor mudanças requer coragem, desprendimento e a defesa de valores inegociáveis.

 Ao examinarmos o Congresso, é fácil fazer uma leitura realista das ações de nossos representantes: o Estado tornou-se um sistema fechado em si mesmo, onde ninguém tem incentivo individual para mudar o comportamento. O custo da mudança pode ser alto. O parlamentar corre o risco de perder o cargo, ser processado ou ficar sem verba. 

Frequentemente, esse custo é percebido como maior do que o benefício de manter o sistema como está. A barreira já começa na entrada da vida parlamentar: para eleger alguém "puro", é necessário vencer o coeficiente eleitoral, o que exige fundo partidário e tempo de TV — recursos controlados justamente pelos caciques que o sistema protege. 

Além disso, no Congresso, o parlamentar que de fato age a favor da população não recebe relatorias importantes, suas emendas não são liberadas e ele é excluído das decisões de cúpula. O sistema o torna irrelevante por asfixia política. Não há como esperar soluções mágicas vindas de Brasília, pois o sistema é profissional na blindagem e na perpetuação deste modelo. 

Os competentes, corretos e, principalmente, incorruptíveis, são hoje insuficientes para mudar o desolado sistema político que impede o desenvolvimento institucional do país.

      Vicente Lino.




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