domingo, 22 de março de 2026

 Se depender de Gilmar Mendes o Caso Banco Master vira uma nova Lava Jato.





Com o voto no último minuto de Gilmar do Patrocínios, inclusive os do Master, o STF manteve por unanimidade a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, suspeito de liderar uma organização criminosa ligada ao seu banco, com quatro ministros acompanhando o relator, André Mendonça, enquanto Dias Toffoli se declarou suspeito e não participou do voto.

Apesar dos claros indícios de que Vorcaro contava com um “braço armado” conhecido como “A Turma”, que atuava com ameaças, coação e monitoramento de adversários, com uso de milícia privada, trocas de mensagens, pagamentos de cerca de R$ 1 milhão por mês e acesso ilegal a sistemas sigilosos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais, Mendes preferiu atacar seu colega e dando a entender de que quer transformar o julgamento de Vorcaro em uma nova Lava Jato.

Se por um lado Mendonça destacou que a organização ainda representa uma ameaça em estado latente, com integrantes ainda soltos, e que a liberdade de Vorcaro potencialmente comprometeria a investigação, favoreceria a destruição de provas e manteria funcionando uma estrutura criminosa responsável por prejuízos bilionários, Gilmar Mendes foi para cima do relator do caso no STF.

Afirmou que justificativas genéricas como “confiança social na Justiça” e “pacificação social” são noções vagas e não bastam para embasar prisão preventiva, podendo violar a presunção de inocência, além de defender vista dos autos à Procuradoria Geral da República para manifestação em prazo adequado.

Ele também criticou diretamente o que chamou de vazamentos seletivos de dados sigilosos e a postura da imprensa ao usar conversas obtidas com base na quebra de sigilo de celulares dele.

Chegou a falar em “tristes reminiscências dos métodos lavajatistas”, com “frenesi midiático” e vazamentos seletivos que servem para criar uma narrativa de culpa antes de qualquer decisão final, o que reforça a suspeita de que a forma como a informação entra em circulação pode ser usada futuramente como argumento de nulidade ou cerceamento de defesa, além de ridicularizar, expor e “objetificar” pessoas que não têm vínculo com o caso.

Para o advogado André Marsiglia, Gilmar Mendes atrasou seu voto tentando convencer pelo menos um colega a mudar sua decisão e conseguir tirar Vorcaro da cadeia – não conseguiu.

Segundo ele, o recado do ministro é claro: vai tentar fazer com o caso Master o que fizeram com a Lava Jato, que primeiro condenou todo mundo para depois tirar da cadeia e ainda devolver dinheiro.

   Fernão Lara Mesquita



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