sábado, 7 de março de 2026

  A Humanidade como Moeda de   Troca no Congresso.



O que assistimos em Brasília é um espetáculo de desfaçatez que atenta contra a inteligência e a dignidade do povo brasileiro.

 Lideranças do Centrão articulam, nas sombras, a derrubada do veto presidencial à dosimetria das penas de brasileiros condenados. A moeda de troca é o "esfriamento" da pressão para instalar a CPMI do Banco Master.

 Em pleno ano eleitoral, a CPMI poderia expor um esquema que mistura fraudes bancárias, uso criminoso de fundos de pensão e conexões perigosas com figuras do alto escalão político e judiciário. O sistema se protege. Deputados e senadores fogem da investigação que revelaria como títulos falsos inflaram balanços e como mais de 250 mil contratos de consignados foram feitos sem o consentimento de aposentados.

 De um lado, criminosos de colarinho branco ocultam rombos bilionários sob o manto do sigilo e do acordo político. Do outro lado, 179 brasileiros seguem presos; 114 em regime fechado e 50 com tornozeleiras. Enquanto o "sistema" blinda seus protegidos, cerca de 9% dos condenados têm mais de 60 anos. Temos 10 brasileiros com mais de 70 anos sob custódia estatal, seis deles em prisão domiciliar por questões graves de saúde.

 É inaceitável que a fragilidade dessas vidas seja usada como ficha de aposta para garantir a impunidade de quem saqueou fundos de previdência.  Usam o sofrimento alheio para blindar ladrões de colarinho branco. Parlamentares que negociam a liberdade de cidadãos em troca de silêncio sobre corrupção destroem a própria confiança na democracia. 

 Aqueles que hoje fogem da justiça e barganham com a dor do próximo não merecem o perdão, muito menos o voto dos eleitores.

      Vicente Lino.



 

 

 

 

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