A “saída honrosa” para Toffoli é uma desonra para o STF -
Mario Sabino.
Que história é essa de que “Sua Excelência atendeu a todos
os pedidos formulados pela PF e PGR”, se o ministro confiscou as provas
colhidas pelos policiais, para estupor da corporação, e se recusou a atender ao
pedido da PGR para cancelar aquela acareação infame que visava a colocar um
diretor do Banco Central na mesma condição dos investigados?
Como assim, “apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli,
respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição
ou de impedimento”, se a PF comunicou ao presidente do STF, Edson Fachin, a
existência de indícios de cometimento de crimes da parte de Toffoli?
Os ministros do STF acham mesmo que agora, com a decisão de
afastar Toffoli, fingindo que foi ele a decidir pelo afastamento, a crise
deflagrada pelo caso Master será contida?
Em qual planeta é normal que dois integrantes da cúpula do
Judiciário — além de Toffoli, Alexandre de Moraes — tenham embolsado uma
montanha de dinheiro, direta ou indiretamente, do responsável por uma fraude
financeira gigantesca, que passou os últimos anos comprando impunidade em
Brasília?
Por falar nisso, cadê o PGR, que, diante de evidências
ululantes, não poderia mais esconder a sujeira debaixo do tapete, furtando-se
ao seu papel de guardião da ordem jurídica e do interesse público? A omissão é
injustificável.
Hoje, a coluna de Malu Gaspar noticia que, além de conversas
com e sobre Toffoli, a PF encontrou conversas com e sobre Moraes no celular de
Daniel Vorcaro.
“A equipe da coluna apurou que (Andrei) Rodrigues
(diretor-geral da PF) já confidenciou a Fachin que o ministro (Alexandre de
Moraes), que tinha relação próxima com Vorcaro, trocava mensagens com o
banqueiro e é citado diversas vezes em diálogos do celular do controlador o
Master apreendido pela PF, inclusive em conversas sobre pagamentos”, diz a
jornalista.
O celular do banqueiro não para de gritar, apesar do
silêncio que o STF quer impor sobre a vergonha toda, como se esse silêncio
servisse à proteção da instituição e não a expusesse ainda mais. E o país ouve
os gritos, esperando que alguém tome alguma providência.
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